{"id":22,"date":"2007-09-16T09:14:31","date_gmt":"2007-09-16T09:14:31","guid":{"rendered":"http:\/\/umjurista.aovento.com\/?p=22"},"modified":"2025-12-03T10:14:28","modified_gmt":"2025-12-03T10:14:28","slug":"racionalismo-e-existencia-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umjurista.aovento.com\/?p=22","title":{"rendered":"Racionalismo e Exist\u00eancia humana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-indent: 1cm; margin-bottom: 0cm\" align=\"justify\"><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">J\u00e1 vimos, em texto anterior publicado neste local, que a <em>\u00abRacionalidade\u00bb<\/em> n\u00e3o \u00e9 a dimens\u00e3o suprema da <strong>\u00abExist\u00eancia humana\u00bb<\/strong>, mas sim o <strong>\u00abEsp\u00edrito\u00bb.<\/strong> Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica dimens\u00e3o e nem sequer sempre a decisiva.<\/font><\/font><\/p>\n<p style=\"text-indent: 1cm; margin-bottom: 0cm\" align=\"justify\"><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">O <strong>\u00abintelectualismo\u00bb<\/strong> e o <strong>\u00abracionalismo\u00bb<\/strong> s\u00e3o, justamente, aquela atitude fundamental que d\u00e1 prioridade e primazia absolutas ao <em>\u00ablogos\u00bb <\/em>sobre o <em>\u00abEsp\u00edrito\u00bb<\/em> e a <em>\u00abVida\u00bb<\/em>, que faz de apenas uma (e, porventura, nem sempre a mais nobre) das dimens\u00f5es da Exist\u00eancia humana, o <em>\u00abintelecto\u00bb<\/em>, a dimens\u00e3o suprema e \u00fanica a que todas as outras se deveriam subordinar. \u00c9 a atitude que precisa se recorrer \u00e0 <em>\u00abmedia\u00e7\u00e3o do intelecto\u00bb<\/em> para provar a sua Exist\u00eancia pr\u00f3pria (<em>\u00abcogito, ergo sum\u00bb<\/em>, de DESCARTES), que separa radicalmente (como se tal fosse honestamente poss\u00edvel!&#8230;) o \u00abpensamento\u00bb do \u00absentimento\u00bb, do \u00abvivido\u00bb, da \u00abviv\u00eancia\u00bb e da \u00abemo\u00e7\u00e3o\u00bb, que n\u00e3o aceita, arrogantemente (como SARTRE), todo o campo do \u00abinconsciente freudiano\u00bb e \u00e9 cega para o lugar e o papel do \u00abM\u00e9taconsciente hayekiano\u00bb, que postula, em suma, uma narcisicamente arrogante, exclusiva, desvinculada, absoluta e totalmente transparente <em>\u00absoberania da consci\u00eancia, do eu, da vontade e da raz\u00e3o intelectual\u00bb<\/em>, sem se questionar, humildemente, quanto ao exacto alcance e limites destes e quanto ao papel de outros factores (transracionais ou n\u00e3o estritamente racionais) na constitui\u00e7\u00e3o de um conhecimento, de um saber e de uma viv\u00eancia com um rosto <em>\u00abpessoal\u00bb.<\/em> \u00c9 esta a matriz do \u00abracionalismo construtivista cartesiano\u00bb, denunciado por FRIEDRICH HAYEK, de fei\u00e7\u00e3o puramente mentalista e subjectivista, que marca t\u00e3o caracteristicamente, n\u00e3o s\u00f3 grande parte da Modernidade (como o mostrou MAX WEBER), como, sobretudo, grande parte da cultura francesa ou afrancesada. Dele disse MIGUEL DE UNAMUNO (1864-1936), em <em>\u00abDo<\/em> <em>sentimento tr\u00e1gico da vida\u00bb<\/em>, relativamente \u00e0 radical incapacidade da \u00abraz\u00e3o formal\u00bb e intelectualista cartesiana para exprimir ou respeitar a ess\u00eancia do homem (e o sentimento, a emo\u00e7\u00e3o, o vivido e a viv\u00eancia, a vida e o tr\u00e1gico), que L\u00d9CIFER (i. \u00e9, o Mal Absoluto) \u00e9 o Pr\u00edncipe dos intelectuais e, por isso, o <em>\u00abGrande Intelectual\u00bb.<\/em><\/font><\/font><\/p>\n<p style=\"text-indent: 1cm; margin-bottom: 0cm\" align=\"justify\"><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">Confortando esta nossa cr\u00edtica ao \u00abracionalismo moderno\u00bb, ao \u00abcartesianismo\u00bb e ao \u00abintelectualismo\u00bb, que faz depender o <strong>\u00abser da Exist\u00eancia\u00bb<\/strong> do pensamento e do intelecto, veja-se o livro, com autoridade cient\u00edfica, do neurobi\u00f3logo portugu\u00eas, radicado nos E.U.A., ANT\u00d3NIO R. DAM\u00c1SIO, intitulado justamente: <em>\u00abO Erro de Descartes \u2013 Emo\u00e7\u00e3o, Raz\u00e3o e<\/em> <em>C\u00e9rebro Humano\u00bb<\/em>, Publica\u00e7\u00f5es Europa-Am\u00e9rica, 1 995.<\/font><\/font><\/p>\n<p style=\"text-indent: 1cm; margin-bottom: 0cm\" align=\"justify\"><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">Com efeito, o que este autor e cientista nos veio demonstrar, na sua estrita pers-pectiva da neuroci\u00eancia, \u00e9 o que j\u00e1 sab\u00edamos de h\u00e1 muito: que a verdade origin\u00e1ria de que h\u00e1-de partir-se n\u00e3o \u00e9 <em>\u00abCogito, ergo sum\u00bb<\/em>, mas sim, justamente ao contr\u00e1rio, que <em>\u00abSum, ergo<\/em> <em>cogito\u00bb<\/em>, ou ainda, mais rigorosamente, que \u00abExisto (sou) e <em>\u201cposso\u201d<\/em> pensar\u00bb. O pensamento, a raz\u00e3o, o intelecto, \u00e9 assim apenas <em>\u00abuma\u00bb<\/em> de entre as m\u00faltiplas dimens\u00f5es do <strong>\u00abser da<\/strong> <strong>Exist\u00eancia\u00bb<\/strong>, e nem sempre a decisiva.<\/font><\/font><\/p>\n<p style=\"text-indent: 1cm; margin-bottom: 0cm\" align=\"justify\"><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">E como o s\u00e9culo XX foi o s\u00e9culo do \u00abintelectualismo\u00bb e do \u00abracionalismo\u00bb, sobretudo o de matriz francesa e cartesiana, ou continental, para ele parece tamb\u00e9m apropriada a seguinte frase de Lord ACTON: <em>\u00abThe age preferred the reign of intellect to the<\/em> <em>reign of liberty\u00bb.<\/em> <\/font><\/font><\/p>\n<p style=\"text-indent: 1cm; margin-bottom: 0cm\" align=\"justify\"><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">E F.A. HAYEK p\u00f4de escrever: \u00ab(\u2026) Nestas mat\u00e9rias (ci\u00eancias sociais) n\u00f3s ainda somos em grande parte guiados por ideias que s\u00e3o pelo menos velhas de um s\u00e9culo, tal como o s\u00e9culo dezanove foi principalmente guiado por ideias do s\u00e9culo dezoito. Mas enquanto que as ideias de HUME e de VOLTAIRE, de ADAM SMTH e KANT, produziram o liberalismo do s\u00e9culo dezanove, as de HEGEL e COMTE, de FEUERBACH e MARX, produziram o totalitarismo do s\u00e9culo vinte. <span lang=\"en-GB\">(\u2026)\u00bb &#8211; <\/span><span lang=\"en-GB\"><em>The Counter-Revolution of Science: Studies on the<\/em><\/span><span lang=\"en-GB\"> <\/span><span lang=\"en-GB\"><em>Abuse of Reason<\/em><\/span><span lang=\"en-GB\">, 1 952, 1 979, p\u00e1g. 399. <\/span>Este livro demonstra tamb\u00e9m as origens reaccion\u00e1rias e autorit\u00e1rias dos modernos <em>\u00abpositivismo\u00bb<\/em> (como <em>\u00abcientismo\u00bb<\/em>) e <em>\u00absocialismo\u00bb<\/em>, a prop\u00f3sito da obra de SAINT-SIMON e, depois, de COMTE: p\u00e1g. 226 e passim.<\/font><\/font><\/p>\n<p style=\"text-indent: 1cm; margin-bottom: 0cm\" align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-indent: 1cm; margin-bottom: 0cm\" align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-indent: 1cm; margin-bottom: 0cm\" align=\"justify\"><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\"><strong>Coimbra, Setembro de 2 007.<\/strong><\/font><\/font><\/p>\n<p style=\"text-indent: 1cm; margin-bottom: 0cm\" align=\"justify\"><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\"><em><strong>Virg\u00edlio de Jesus Miranda Carvalho.<\/strong><\/em><\/font><\/font><\/p>\n<p style=\"text-indent: 1.91cm; margin-bottom: 0cm\" align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 vimos, em texto anterior publicado neste local, que a \u00abRacionalidade\u00bb n\u00e3o \u00e9 a dimens\u00e3o suprema da \u00abExist\u00eancia humana\u00bb, mas sim o \u00abEsp\u00edrito\u00bb. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica dimens\u00e3o e nem sequer sempre a decisiva. 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