{"id":23,"date":"2007-10-05T18:09:07","date_gmt":"2007-10-05T18:09:07","guid":{"rendered":"http:\/\/umjurista.aovento.com\/?p=23"},"modified":"2025-12-03T10:14:22","modified_gmt":"2025-12-03T10:14:22","slug":"uma-visao-%c2%abtridimensional%c2%bb-da-pessoa-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umjurista.aovento.com\/?p=23","title":{"rendered":"Uma vis\u00e3o \u00abtridimensional\u00bb da Pessoa Humana."},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 14pt; font-family: MaturaMT\"><span style=\"font-family: Arial\"><font size=\"3\">De entre a multiplicidade das dimens\u00f5es da <strong>\u00abPessoa Humana Real\u00bb<\/strong> &#8211; que a definem como uma <em>\u00abcomplexidade integrada\u00bb<\/em>, pois que a pessoa n\u00e3o \u00e9 uma mera simplicidade, mas uma <em>\u00abunitas multiplex\u00bb<\/em>, uma <em>\u00abunidade ou ordem plural\u00bb<\/em> &#8211; \u00e9 poss\u00edvel identificar, pelo menos e de um modo fundamental, as seguintes linhas de for\u00e7a:<\/font><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt; font-family: MaturaMT\"><span style=\"font-family: Arial\"><\/span><\/span><span style=\"font-size: 14pt; font-family: MaturaMT\"><span style=\"font-family: Arial\"><font size=\"3\"><span>1. Uma dimens\u00e3o estrutural \u00aba priori\u00bb ou constitutivo-formal que \u00e9 uma sua \u00abNatureza Humana Comum e Universal\u00bb &#8211; ou melhor: uma mesma \u00abconstitui\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gico-fundamental\u00bb, na terminologia de MARTIN HEIDEGGER, que interpreta o \u00abser\u00bb do homem, na verdade, menos como \u00abquididade\u00bb ou \u00absubst\u00e2ncia\u00bb, e mais como jogo, ordem relacional interna, abertura, plasticidade, mobilidade interna, mutabilidade, temporalidade e historicidade, projectividade, possibilidade \u00abtranscendens\u00bb, etc. ,\u00a0 ou um <em>\u00abfundamento humano<\/em> <em>comum\u00bb<\/em>, express\u00e3o de \u00abuma mesma e universal realidade humana\u00bb, aberta, din\u00e2mica e pl\u00e1stica, m\u00f3vel e mut\u00e1vel, dotada de historicidade, comum a todos os outros seres humanos, como quadro-geral de determina\u00e7\u00f5es e de possibilidades que a <em>\u00abconstituem\u00bb <\/em>na sua \u00abuniversalidade humana\u00bb e que \u00e9 a chamada \u00abidentidade do diferente\u00bb: enfim, todos os \u00abexistenciais\u00bb e \u00abmodos-de-ser\u00bb analisados pelo mesmo HEIDEGGER em <em>\u00abSer e Tempo\u00bb<\/em>, 1927.<\/span><\/font><span style=\"font-family: Arial\"><font size=\"3\">\u00c9 esta dimens\u00e3o que funda o valor da <em>\u00abIgualdade\u00bb<\/em> (ontologicamente configurada) entre todas as pessoas e, entre outras coisas, enfim, a <em>\u00abDemocracia\u00bb<\/em>, como universalidade.<\/font><\/span><span style=\"font-family: Arial\"><font size=\"3\">\u00a0<\/font><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: MaturaMT\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-family: Arial\"><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size: 14pt; font-family: MaturaMT\"><span style=\"font-family: Arial\"><font size=\"3\"><span>2. Uma horizontal dimens\u00e3o material (afectiva) \u00abrelacional externa\u00bb, ou \u00absocial\u00bb (possibilitada pela sua voca\u00e7\u00e3o de \u00absociabilidade\u00bb, que, embora n\u00e3o exclusiva, FREUD disse ser a sua \u00abaspira\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade\u00bb): na verdade, boa parte da sua <em>\u00abidentidade\u00bb<\/em> \u00e9 de origem e constitui\u00e7\u00e3o <em>\u00absocial\u00bb<\/em>, desde a forma\u00e7\u00e3o precoce da \u00abpersonalidade\u00bb no tri\u00e2ngulo edipiano da interactiva \u00absitua\u00e7\u00e3o parental\u00bb (<em>parenthood<\/em>) da fam\u00edlia; at\u00e9, depois, na rela\u00e7\u00e3o e interac\u00e7\u00e3o com a escola, o grupo juvenil, os v\u00e1rios contextos sociais, a civiliza\u00e7\u00e3o e a cultura envolventes, etc. Por outro lado, a pessoa n\u00e3o deixa de formar, em alguma medida, \u00abuma sociedade consigo pr\u00f3pria\u00bb, uma \u00abordem relacional interna\u00bb, devido \u00e0 pluralidade de subjectividades e de fidelidades que, socialmente, os v\u00e1rios contextos sociais externos nela v\u00e3o constituindo.<\/span><\/font><span style=\"font-family: Arial\"><font size=\"3\">S\u00f3 que, esta dimens\u00e3o \u2013 que n\u00e3o tem nada de um exclusivo e total necessitarismo substancialista e essencialista \u00aba priori\u00bb, como o defende o personalismo substantivista-social dogm\u00e1tico e toda a esp\u00e9cie de \u00absocialismos\u00bb, que s\u00f3 falam da \u00abpessoa social\u00bb e de uma dogm\u00e1tica e exclusivamente \u00fanica ess\u00eancia ou natureza \u00absocial\u00bb da pessoa\u2026 &#8211; n\u00e3o define \u00e0 pessoa toda a sua \u00abess\u00eancia\u00bb ou \u00abnatureza\u00bb (que \u00e9, n\u00e3o se esque\u00e7a, antes do mais,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abEk-sis-t\u00eancia\u00bb), n\u00e3o esgota toda a sua interioridade, subjectividade e espiritualidade, pelo que, existindo tamb\u00e9m na pessoa uma indesment\u00edvel e parcial dimens\u00e3o de <em>\u00abinsociabilidade\u00bb<\/em> (a <em>\u00absociabilidade<\/em> <em>insoci\u00e1vel\u00bb<\/em> de que falava KANT), pode hoje, tranquilamente, dizer-se que <em>\u00abnem todo o<\/em> <em>humano \u00e9 social\u00bb.<\/em> H\u00e1 uma dimens\u00e3o da pessoa e da liberdade que ser\u00e1 sempre pr\u00e9-, extra-, ou m\u00e9ta-social. E daqui a conclus\u00e3o moderna de que o homem n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 \u00abum animal greg\u00e1rio\u00bb: <em>\u00abzoon politikon\u00bb<\/em>, lhe chamou ARIST\u00d3TELES.<\/font><\/span><span style=\"font-family: Arial\"><font size=\"3\">\u00a0<\/font><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: MaturaMT\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-family: Arial\"><\/span><span style=\"font-family: Arial\"><font size=\"3\"><span>3. E tem ainda a pessoa uma sua vertical \u00abindividualidade pr\u00f3pria real\u00bb (individualidade natural), possibilitada pelo princ\u00edpio \u00f4ntico-ontol\u00f3gico forte da \u00abindividua\u00e7\u00e3o\u00bb, e que se d\u00e1 e se exprime imediatamente (primeiro, na comum experi\u00eancia humana da Exist\u00eancia consciente) na unidade \u00f4ntico-ontol\u00f3gica do \u00abEu\u00bb (verdadeiro ponto de sutura entre o ontol\u00f3gico e o psicol\u00f3gico), como diferen\u00e7a, como m\u00f3nada solit\u00e1ria, como subst\u00e2ncia individual e individuada e como \u00abExistente\u00bb: L\u00c9VINAS. Ou seja, a sua estrema e absoluta <em>\u00absingularidade \u00e9tica individual\u00bb <\/em>e <em>\u00abidiossincr\u00e1tica pr\u00f3pria\u00bb<\/em>, particular, concreta, diferenciada, \u00fanica e irrepet\u00edvel, que a distingue individuadamente de todos os outros seres humanos, atrav\u00e9s da <em>\u00abIpseidade\u00bb<\/em>: da <em>\u00abSelbstheit\u00bb<\/em>, do <em>\u00abSelbstsein\u00bb<\/em>, ou <em>\u00abser-si-pr\u00f3prio\u00bb<\/em> da filosofia existencial alem\u00e3.<\/span><\/font><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: MaturaMT\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-family: Arial\"><font size=\"3\"><span><\/span><\/font><span style=\"font-family: Arial\"><font size=\"3\">E, para uma concep\u00e7\u00e3o individualista, realista e cr\u00edtica da pessoa humana, como a nossa, mesmo que tenhamos que reconhecer que \u00ab\u2026o <em>homem real<\/em> \u00e9 a unidade dial\u00e9ctica de duas relativas autonomias, a autonomia do seu <em>\u201ceu social\u201d<\/em> (\u2026) e de um <em>\u201ceu pessoal\u201d<\/em> \u2013 a unidade dial\u00e9ctica, se quisermos, da objectividade e da subjectividade humanas\u00bb (A. CASTANHEIRA NEVES) \u2013 todavia n\u00f3s afirmamos o <em>\u00abrelativo primado do eu pessoal sobre o eu social\u00bb. <\/em>N\u00e3o uma simetria ou perfeita reciprocidade entre aqueles referidos dois eus (ou as duas dimens\u00f5es do <em>\u00abSelf\u00bb<\/em>), mas o <em>\u00abrelativo primado ou a preemin\u00eancia \u00faltima do eu<\/em> <em>pessoal sobre o eu social\u00bb<\/em>, a preemin\u00eancia da <em>\u00abSelbstheit\u00bb<\/em>, do <em>\u00abSelbstsein<\/em>\u00bb, ou do <em>\u00abser-si<\/em>&#8211;<em>pr\u00f3prio\u00bb.<\/em> <\/font><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: MaturaMT\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-family: Arial\"><font size=\"3\">Na aceita\u00e7\u00e3o da parcial dimens\u00e3o <em>\u00absocial\u00bb<\/em> do <em>\u00abSelf\u00bb<\/em> divergimos decisivamente do individualismo estrito e absoluto, do <em>\u00abfalso individualismo\u00bb<\/em> solipsista, radicalmente atomista, fragmentarizante e moderno-cartesiano de que falava HAYEK, o qual desemboca, paradoxalmente, tanto no libertarismo ou anarquismo radicais, como no socialismo e colectivismo totalit\u00e1rios. Na afirma\u00e7\u00e3o da relativa prioridade \u00f4ntico-ontol\u00f3gica ou preemin\u00eancia \u00faltima do <em>\u00abeu pessoal\u00bb<\/em>, convergimos com o <em>\u00abverdadeiro individualismo\u00bb<\/em> deste \u00faltimo autor referido e de POPPER e com o relativo <em>\u00abprivil\u00e9gio ontol\u00f3gico\u00bb<\/em> que tamb\u00e9m HEIDEGGER disse ter sempre o ser humano (o <em>\u00abser-a\u00ed\u00bb<\/em>, o <em>\u00abDa-sein\u00bb<\/em>) sobre o \u00abmundo\u00bb, sem contudo negarmos este e a sua espec\u00edfica realidade aberta, nem as decisivas autonomia e objectividade sist\u00e9micas relativas da sociedade e da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/font><\/span><span style=\"font-family: Arial\"><font size=\"3\">\u00a0<\/font><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size: 14pt; font-family: MaturaMT\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong> <\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: MaturaMT\"><span style=\"font-family: Arial\"><\/span><\/span><span style=\"font-size: 14pt; font-family: MaturaMT\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-family: Arial\"><\/span><span style=\"font-family: Arial\"><span><font size=\"3\"><strong>Coimbra, Setembro de 2 007.<\/strong><\/font><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: MaturaMT\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-family: Arial\"><span><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size: 14pt; font-family: MaturaMT\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-family: Arial\"><span><\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong><em><span style=\"font-family: Arial\"><font size=\"3\">Virg\u00edlio de Jesus Miranda Carvalho.<\/font><\/span><\/em><\/strong><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De entre a multiplicidade das dimens\u00f5es da \u00abPessoa Humana Real\u00bb &#8211; que a definem como uma \u00abcomplexidade integrada\u00bb, pois que a pessoa n\u00e3o \u00e9 uma mera simplicidade, mas uma \u00abunitas multiplex\u00bb, uma \u00abunidade ou ordem plural\u00bb &#8211; \u00e9 poss\u00edvel identificar, pelo menos e de um modo fundamental, as seguintes linhas de for\u00e7a: 1. 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