{"id":38,"date":"2014-03-12T14:16:35","date_gmt":"2014-03-12T14:16:35","guid":{"rendered":"http:\/\/umjurista.aovento.com\/?p=38"},"modified":"2025-12-03T10:14:03","modified_gmt":"2025-12-03T10:14:03","slug":"a-referencia-ultima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umjurista.aovento.com\/?p=38","title":{"rendered":"A refer\u00eancia \u00faltima"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.5em;\">Temos que reconhecer que \u00e9 uma exig\u00eancia intr\u00ednseca do <\/span><strong style=\"line-height: 1.5em;\">\u00abEsp\u00edrito Humano\u00bb<\/strong><span style=\"line-height: 1.5em;\"> o pensamento de um irrepresent\u00e1vel <\/span><strong style=\"line-height: 1.5em;\">\u00abPrinc\u00edpio Absoluto de todas as coisas\u00bb<\/strong><span style=\"line-height: 1.5em;\">, ou a tend\u00eancia para <\/span><em style=\"line-height: 1.5em;\">reduzir<\/em><span style=\"line-height: 1.5em;\"> (melhor: <\/span><em style=\"line-height: 1.5em;\">re-ligar<\/em><span style=\"line-height: 1.5em;\">) tudo a um <\/span><em style=\"line-height: 1.5em;\">\u00ab\u00fanico princ\u00edpio\u00bb<\/em><span style=\"line-height: 1.5em;\">: \u00e9 uma sua exig\u00eancia intr\u00ednseca de <\/span><em style=\"line-height: 1.5em;\">\u00abunidade\u00bb<\/em><span style=\"line-height: 1.5em;\">, na incomensur\u00e1vel multiplicidade das dimens\u00f5es que se deparam ao seu conhecimento e experi\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p>Neste contexto, <strong>\u00abDeus\u00bb<\/strong>, como refer\u00eancia \u00faltima, que apenas se pode enunciar, pensado como <em>\u00abAlteridade Absoluta\u00bb<\/em> e fugazmente pressentido como <em>\u00abInfinitos Bondade e Amor\u00bb<\/em>, bem poder\u00e1 ser talvez a <em>\u00abResposta\u00bb<\/em> que damos \u00e0 <em>\u00abGrande Inc\u00f3gnita\u00bb<\/em> que permanece e resiste l\u00e1 no fundo de n\u00f3s e para al\u00e9m de tudo o pouco que sabemos, experienciamos e explicamos provisoriamente sobre n\u00f3s pr\u00f3prios, a nossa Exist\u00eancia e o Universo Englobante \u2026 Mesmo porque nos \u00e9 t\u00e3o insuport\u00e1vel e dif\u00edcil permanecermos expectantes e indecisos face a um t\u00e3o grande <em>\u00abPonto de Interroga\u00e7\u00e3o\u00bb<\/em>: a inilud\u00edvel, incontorn\u00e1vel, mas persistente e nunca respondida, pergunta \u00faltima sobre a <em>\u00aborigem\u00bb<\/em>, a <em>\u00abcausa primeira\u00bb<\/em> ou a <em>\u00abraz\u00e3o de ser\u00bb<\/em>, o <em>\u00absentido \u00faltimo\u00bb<\/em> e o <em>\u00abfim\u00bb<\/em> (o al\u00e9m\u2026) de <strong>\u00abtudo\u00bb<\/strong> o que existe (de todo o Universo, de toda a Vida e de todo o Ser) e que conhecemos, explicamos e compreendemos provisoriamente e mais ou menos imperfeitamente, dentro das nossas limitadas possibilidades de compreens\u00e3o e de intelec\u00e7\u00e3o\u2026 Ou a resposta poss\u00edvel para a interroga\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica de que: <em>\u00abPorque h\u00e1 \u201cSer\u201d em vez de \u201cNada\u201d ?\u00bb<\/em>. Uma pergunta a que, nem a raz\u00e3o s\u00f3 intelectual, nem a ci\u00eancia, respondem em definitivo.<\/p>\n<p>Mas, para n\u00f3s, a Sua plena inteligibilidade e compreens\u00e3o n\u00e3o est\u00e1, em definitivo, ao alcance das nossas limitadas possibilidades humanas e do equipamento mental com que fomos dotados. Pois, como o tinha dito j\u00e1 IMMANUEL KANT (Cfr. <em>Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Pura<\/em>, 1781\u201387, 3\u00aa. edi\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1994, p\u00e1g. 531): \u00abO Ser supremo mant\u00e9m-se, pois, para o uso meramente especulativo da raz\u00e3o, como um simples <em>\u201cideal\u201d<\/em>, embora <em>\u201csem defeitos\u201d<\/em>, um conceito que remata e coroa todo o conhecimento humano; a realidade objectiva desse conceito n\u00e3o pode, contudo, ser provada por esse meio, embora tamb\u00e9m n\u00e3o possa ser refutada\u00bb.<\/p>\n<p>Ou seja: a nossa pobre, prec\u00e1ria e indigente condi\u00e7\u00e3o humana, de <em>\u00abradical desamparo\u00bb<\/em> e de estrutural e finita imperfei\u00e7\u00e3o e <em>\u00abcar\u00eancia ontol\u00f3gica\u00bb<\/em>, impele-nos necessariamente para a busca incessante e constante desse <strong>\u00abAbsoluto Moral\u00bb<\/strong>, que, assente nos nossos dois maiores bens, que s\u00e3o, conjuntamente, a <strong>\u00abPaz\u00bb<\/strong> e a <strong>\u00abLiberdade\u00bb<\/strong>, s\u00f3 poder\u00e1 dar-se pelo nome de <strong>\u00abDeus\u00bb<\/strong>. E isto n\u00e3o pode ser provado, nem refutado, s\u00f3 \u00abracionalmente\u00bb. \u00c9 obra do <strong>\u00abEsp\u00edrito\u00bb<\/strong> mais do que da estrita <strong>\u00abRaz\u00e3o Pura\u00bb<\/strong>.<\/p>\n<p>Nem, todavia e por outro lado, alguma vez pudemos apercebermo-nos de alguma clara e inequ\u00edvoca \u00abRevela\u00e7\u00e3o\u00bb, ou sequer supormo-nos dignos de alguma \u00abGra\u00e7a\u00bb, especial e pessoalmente endere\u00e7ada.<\/p>\n<p>Por isso, Ele permanece, rigorosamente, um <strong>\u00abMist\u00e9rio\u00bb<\/strong>, acerca Do Qual nada se pode predicar. S\u00f3 pode, portanto, ser assunto de <strong>\u00abF\u00e9\u00bb<\/strong> (ou de <strong>\u00abEsperan\u00e7a\u00bb<\/strong>), acerca das quais se deve antes guardar prudente sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m aqui deve imperar sempre o pensamento da <em>\u00abpossibilidade transcendental\u00bb<\/em>, i. \u00e9, a <em>\u00abpossibilidade de possibilidade\u00bb<\/em>, que mant\u00e9m sempre em aberto a <em>\u00abpossibilidade \u00faltima\u00bb<\/em> (Cfr. NICOLA ABBAGNANO).<\/p>\n<p>Por outro lado, trata-se, portanto, aqui, mais de uma <strong>\u00abF\u00e9 Filos\u00f3fica\u00bb<\/strong>, ou <strong>\u00abMetaf\u00edsica\u00bb<\/strong>, do que pr\u00f2priamente de uma <strong>\u00abF\u00e9 Teol\u00f3gica\u00bb<\/strong> ou <strong>\u00abLit\u00fargica\u00bb<\/strong> (Cfr. KARL JASPERS) que, sem obliterar tudo quanto deve ao <strong>Cristianismo<\/strong>, nem pretender contornar (\u00abracionalmente\u00bb?) o problema da <strong>\u00abTranscend\u00eancia\u00bb<\/strong>, mas antes abrir-se a ele, contudo se mant\u00e9m equidistante e para al\u00e9m de todas as Religi\u00f5es e Igrejas estabelecidas.<\/p>\n<p><strong>VIRG\u00cdLIO CARVALHO (Dr.)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Temos que reconhecer que \u00e9 uma exig\u00eancia intr\u00ednseca do \u00abEsp\u00edrito Humano\u00bb o pensamento de um irrepresent\u00e1vel \u00abPrinc\u00edpio Absoluto de todas as coisas\u00bb, ou a tend\u00eancia para reduzir (melhor: re-ligar) tudo a um \u00ab\u00fanico princ\u00edpio\u00bb: \u00e9 uma sua exig\u00eancia intr\u00ednseca de \u00abunidade\u00bb, na incomensur\u00e1vel multiplicidade das dimens\u00f5es que se deparam ao seu conhecimento e experi\u00eancia. 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